Ivanna Wasiuk
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Estilo

Desvendando o estilo: ep1. Jackie Kennedy

11 de agosto de 2026

Desvendando o estilo: ep1. Jackie Kennedy
Existem mulheres que se vestem bem. E existem mulheres cuja imagem se torna uma referência. Jackie Kennedy pertence à segunda categoria. Décadas depois de sua passagem pela Casa Branca, seu nome continua associado à elegância, à sofisticação e a uma estética que permanece reconhecível mesmo quando reinterpretada por outras gerações. Seus terninhos, vestidos estruturados, óculos grandes, lenços e bolsas se tornaram referências quase instantaneamente identificáveis. Mas o que, afinal, fez o estilo de Jackie Kennedy se tornar tão marcante? Mais do que as roupas que usava, Jackie construiu uma imagem. E é justamente isso que torna sua trajetória tão interessante quando observamos sua história através da ótica da consultoria de imagem. Muito além das roupas Quando pensamos em Jackie Kennedy, provavelmente algumas imagens vêm imediatamente à nossa cabeça: o tailleur impecável, o chapéu pillbox, os óculos escuros, o cabelo perfeitamente arrumado. Mas seu estilo não estava simplesmente na escolha dessas peças. Havia uma coerência entre roupa, cabelo, acessórios, maquiagem, postura e ocasião. Cada elemento parecia fazer parte da mesma narrativa. Jackie compreendia algo fundamental: a imagem não é construída por uma única peça, mas pelo conjunto. Ela sabia que vestir-se para um evento oficial exigia uma mensagem diferente daquela transmitida em um momento de lazer. Sabia também que determinados elementos poderiam ser repetidos até se tornarem parte de sua identidade visual. É aí que começamos a entender por que seu estilo ultrapassou a moda de sua época. A assinatura Jackie Uma das características mais interessantes de Jackie era a capacidade de transformar elementos recorrentes em verdadeiras assinaturas. Os terninhos, os vestidos de linhas simples, os grandes óculos, os lenços, as bolsas estruturadas e os chapéus apareciam diversas vezes em sua imagem. E isso nos ensina algo importante sobre estilo pessoal: repetição não significa falta de criatividade. Pelo contrário. Quando encontramos elementos que funcionam para nós e passamos a incorporá-los de diferentes maneiras, eles começam a construir reconhecimento. Jackie não precisava estar sempre usando algo completamente novo para ser interessante. Sua identidade estava justamente na familiaridade de determinados elementos. É uma lógica que continua extremamente atual: uma pessoa não precisa ter um guarda-roupa completamente diferente a cada semana para ter estilo. Muitas vezes, é a repetição intencional que faz uma imagem se tornar memorável. A força da simplicidade Em uma época marcada por diferentes códigos de vestimenta e por uma forte valorização do glamour, Jackie se destacou também pela maneira como utilizava a simplicidade. Suas produções frequentemente tinham poucas informações visuais. As silhuetas eram limpas, os elementos eram bem definidos e os acessórios tinham espaço para aparecer. Isso não significa que seus looks fossem básicos. Existe uma diferença entre simplicidade e ausência de intenção. Um visual pode ter poucos elementos e, ainda assim, ser extremamente sofisticado quando existe equilíbrio entre eles. No caso de Jackie, a simplicidade funcionava porque havia atenção às proporções, aos materiais, às cores e ao contexto. Nada precisava parecer excessivo para chamar atenção. Cor, proporção e presença Outro aspecto importante de sua imagem era a maneira como Jackie utilizava cores e proporções. Ela ficou especialmente conhecida por conjuntos coordenados, tons neutros e produções monocromáticas, mas também utilizava cores marcantes em momentos estratégicos. O resultado era uma imagem visualmente organizada. Suas roupas criavam uma silhueta definida sem depender de excesso de informação. Os acessórios, por sua vez, ajudavam a direcionar o olhar e reforçar a personalidade da produção. Esse equilíbrio entre roupa, corpo e acessórios é um dos pontos que podemos observar quando analisamos uma imagem de forma profissional. Não se trata simplesmente de perguntar se uma roupa é bonita. A pergunta mais interessante é: O que essa roupa está fazendo pela imagem de quem a veste? O styling como narrativa Talvez esse seja um dos aspectos mais fascinantes da imagem de Jackie Kennedy. Ela não se vestia da mesma maneira para todas as situações. Durante seu período como primeira-dama, sua imagem precisava transmitir elegância, juventude, sofisticação e, ao mesmo tempo, representar adequadamente o papel institucional que ocupava. Suas roupas precisavam funcionar dentro de diferentes contextos: eventos oficiais, viagens, encontros diplomáticos e aparições públicas. Mas a sua essência visual permanecia. Essa é uma das maiores diferenças entre ter estilo e simplesmente acompanhar tendências. O estilo permanece reconhecível mesmo quando o contexto muda. A roupa pode mudar. A mensagem central continua. Da Casa Branca a Nova York E talvez uma das maiores provas de que Jackie possuía uma identidade visual sólida esteja justamente em sua transformação depois da Casa Branca. Ao deixar o papel de primeira-dama, sua imagem também mudou. Durante sua vida em Nova York, Jackie passou a incorporar uma estética mais cosmopolita e descontraída. Calças, camisas, grandes óculos escuros, lenços e peças mais casuais passaram a fazer parte de sua imagem. Ainda assim, continuávamos reconhecendo Jackie. Isso porque evoluir não significa abandonar a própria identidade. Seu estilo amadureceu conforme sua vida mudou, mas alguns códigos permaneceram. Essa talvez seja uma das maiores lições que podemos tirar de sua trajetória: nosso estilo não precisa permanecer congelado para ser autêntico. Ele pode acompanhar nossas diferentes fases. O que podemos aprender com Jackie Kennedy? Observar Jackie através da perspectiva da imagem pessoal nos permite perceber que seu legado vai muito além de tendências ou peças específicas. 1. Encontre seus elementos assinatura Pode ser uma cor, uma modelagem, um acessório, uma textura ou até uma determinada maneira de combinar peças. Quando certos elementos aparecem de maneira consistente, eles passam a fazer parte da sua identidade. 2. Não tenha medo de repetir Repetir aquilo que funciona não diminui seu estilo. Pelo contrário: pode torná-lo mais reconhecível. 3. Não confunda tendência com identidade Uma tendência pode complementar seu estilo, mas não precisa defini-lo. Jackie não precisava acompanhar tudo o que estava na moda para permanecer relevante. 4. Vista-se de acordo com a mensagem que deseja transmitir Antes de pensar apenas se uma roupa é bonita, vale perguntar: O que eu quero comunicar com ela? Essa pergunta muda completamente a maneira como enxergamos o vestir. 5. Pense no conjunto Roupa, cabelo, maquiagem, acessórios e postura precisam conversar. Um look não termina na roupa. O verdadeiro legado de Jackie Talvez seja justamente por isso que Jackie Kennedy continue sendo uma referência tantas décadas depois. Seu estilo não ficou preso aos anos 1960. Ele se tornou uma linguagem. As peças podem ser reinterpretadas. As tendências podem mudar. As referências podem ser atualizadas. Mas a lógica por trás de sua imagem continua extremamente relevante: coerência, intenção e identidade. Jackie não se tornou um ícone porque usava roupas bonitas. Ela se tornou um ícone porque construiu uma imagem que era imediatamente reconhecível e, ao mesmo tempo, profundamente conectada à mulher que desejava representar. E talvez essa seja a maior lição que podemos levar de seu estilo: ter estilo não é vestir-se de uma maneira específica. É fazer com que aquilo que você veste pareça pertencer a você. Desvendando o Estilo Uma série sobre mulheres que transformaram a moda em uma forma de expressão — e o que podemos aprender com elas. Próximo capítulo: Audrey Hepburn.

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